CLÁSSICO TRICOLOR E O VANDALISMO

PERSIO PRESOTTO

Revanche? Será?

No dia 21 de maio deste ano, no Maracanã, o Fluminense enfrentou o São Paulo pela Taça Libertadores das Américas. Era a partida decisiva, válida pelas Quartas-de-Final. O vencedor, de duas uma: ou pegava o Santos - eliminado pelo América do México - ou o Boca Juniors, da Argentina, até então temido, por ser o grande bicho-papão na competição de clubes Sul-Americanos.

Uma semana antes, no Morumbi, o Tricolor paulista derrotou o das Laranjeiras por 1 a 0, com gol de Adriano.

A expectativa para o jogo no Rio de Janeiro era imensa.

Tratava-se do duelo entre o tricampeão São Paulo e o Fluminense, dono da melhor campanha na fase de Grupos da Libertadores de 2008.

Quando a bola rolou, o que se viu foi uma partida espetacular para ambos os lados.

E foi o Fluminense quem abriu o placar, aos 13 minutos, com Washington.

Já no segundo tempo, aos 26 minutos, Adriano deixou tudo igual. Mas os são-paulinos nem puderam festejar, pois, aos 27, Dodô fez 2 a 1 para o Flu, garantindo a festa no Maior do Mundo.

Para que a festa fosse completa, no entanto, ainda faltava um gol para o Fluminense.

E esse gol tão esperado aconteceu aos 46 minutos, no último e derradeiro lance do jogo: Washington, o Coração de Leão, garantiu a classificação do Fluzão.

Daí em diante, todos sabemos o que aconteceu.

O São Paulo, eliminado da Libertadores, investiu integralmente no Campeonato Brasileiro, enquanto o Fluminense, apostando suas fichas na conquista da América, deixou o Brasileirão de lado, fato que, mais tarde, custou muito caro.

Eliminar o Boca Juniors foi algo que rendeu muitas manchetes otimistas ao Tricolor das Laranjeiras, rumo ao título inédito.

Falou-se em final antecipada, que a Taça já estava garantida...

Renato Gaúcho, mostrando uma confiança gigantesca, algo que chegava a assustar até, já se sentia o Campeão das Américas. Disse que, conquistando a Libertadores, o Flu brincaria no Brasileiro...

Mas a LDU, do Equador, mostrou que o campeão não se faz por antecipação e calou a torcida do Fluminense, em pleno Maracanã.

Hoje, quase três meses depois, o Fluminense volta e enfrentar o São Paulo no Maracanã. E em situação bastante diferente.

No G4 do Brasileirão, o Tricolor do Morumbi não pode pensar em derrota, caso queira chegar à liderança, ocupada pelo Grêmio.

Quanto ao Fluminense, na zona de rebaixamento, também não pode pensar em derrota. A cada rodada que passa, a vida fica mais complicada. E estamos na penúltima rodada do primeiro turno (18ª). Tropeçar agora, é o mesmo que iniciar o caminho de volta à segundona.

Segundona em que o Flu já esteve e só voltou por um "tapetão", um "acerto de cavalheiros" entre os cartolas do nosso futebol.

IMBECIS
Difícil encontrar outro adjetivo para qualificar o grupelho que esteve ontem no Ninho do Urubu - centro de treinamento do Flamengo - para atirar uma bomba e um rojão de fabricação caseira dentro de campo.

Isso não é comportamento de torcedor, de cidadão. É coisa de vândalo, cafageste, gente que não presta.

Esses imbecis que lá estiveram, é bom lembrar, invadiram o local, não foram convidados.

Os estilhaços da bomba atingiram o zagueiro Dininho, que, por sorte, não foi ferido com gravidade.

Mas, e se houvesse uma fatalidade?

O filho do meia Ibson, com pouco mais de um ano, estava no local...

Quem responderia por tal vandalismo?

Fatos irresponsáveis como esse são de causar revolta!

Será que os imbecis que jogaram a bomba e o rojão em campo fariam isso se lá estivesse um parente deles?

Que bando de acéfalos!